Quais os próximos desafios para o modelo de trabalho híbrido?

Empresas que pensam em adotar modelo devem estar atentas a alguns aspectos de proteção de dados e cibersegurança

Ricardo Katsudi Okamura*

Conforme os índices de vacinação avançam pelo Brasil, empresas discutem se, ao invés de um retorno 100% presencial ao escritório, uma mistura de “como era feito antes” com a experiência que os últimos meses nos trouxeram de trabalho remoto talvez seja uma opção mais interessante e viável. Números da consultoria IDC nos mostram que dentre um número de 33% de empresas que ainda não decidiram que modelo adotar, 59% de seus funcionários preferem que seja híbrido, ou seja, mesclando home-office e atividades presenciais. Além de outros fatores preponderantes, temos a maior possibilidade de estar com a família e o fim do tempo de deslocamento casa – trabalho.

Além de questões sociais e relacionadas à produtividade e satisfação do trabalhador, um aspecto que promete trazer grandes desafios para as empresas que irão adotar o modelo híbrido é a segurança. O ano de 2020 e os primeiros seis meses deste ano apresentaram um assustador aumento de tentativas de ciberataques a máquinas brasileiras. Como nos mostra um relatório das Nações Unidas, o cibercrime teve um assustador aumento de 600% desde o início da pandemia.

Quais aspectos as empresas que pensam na adoção do modelo híbrido devem ficar mais atentas, pensando na proteção de seus dados e em sua segurança?

Educação em cibersegurança

Este é um ponto primordial. Antes de analisar investimentos em soluções específicas de cibersegurança, todos os integrantes da empresa devem receber o mínimo de educação em noções básicas do assunto. Coisas como o funcionamento de estratégias de engenharia social por parte de hackers, como proceder em uma situação de ransomware e o uso responsável de um sistema de nuvem. A segurança só será maior quando existir confiança de que todos sabem o que devem ou não fazer.

Existe ainda a questão da LGPD – Lei Geral de Proteção de Dados. A partir de agosto, empresas que não cumprirem com suas normas podem receber multas de até 50 milhões de reais. Por essas questões, um treinamento para se adequar ao básico de cibersegurança deve ser o primeiro dos passos.

Investimento em equipe qualificada de TI

Para que esse processo de treinamento possa acontecer da melhor forma possível, é necessária uma equipe preparada para oferecer isso. Muito além de ter alguém na empresa para ver por que seu computador está muito lento, uma equipe de TI forte vai ser capaz de oferecer um melhor diagnóstico de todos os problemas digitais que sua equipe pode sofrer. Isso se mostra especialmente válido no modelo híbrido, onde os empregados atuam a grandes distâncias e com configurações de internet diferentes.

Mais do que uma aposta, o investimento em TI já é realidade. A IDC nos mostra que esse ano de 2021 deve ser marcado por um crescimento de 7,7% no mercado na América Latina, liderado pelo Brasil. Além disso, pensando no quão importantes serão, o mesmo levantamento revela que nosso continente está em acelerado processo de transformação digital, e que 40% do PIB deve estar digitalizado até 2022.

Consolidação da nuvem

Uma das tendências que se acelerou durante a pandemia foi a da implementação de soluções de nuvem. Por meio dela, arquivos e outros dados importantes passam a ficar armazenados digitalmente e ao acesso de todos os empregados. Conforme relata a IDC, 75% das companhias latino-americanas dobrarão a velocidade da transição da infraestrutura para um modelo em nuvem até o fim deste ano.

Até lá, os investimentos devem atingir a casa dos 3 bilhões de reais (um crescimento de 46,5% em relação a 2020). Já a empresa de análises de mercado alemã Statista projeta que, das 5 mil maiores empresas da América Latina, 60% querem adotar a nuvem por razões de negócios, e não circunstanciais. Isso mostra que, passado o “susto” da pandemia e a obrigação de repensar imediatamente o armazenamento de dados, a nuvem veio para ficar.

Mais equipamentos podem
significar mais vetores de ataque

Seja pelo fato de o servidor da empresa estar em uma nuvem digital, ou por ele ser acessado por empregados que podem estar espalhados pelo país, mais equipamentos conectados à web significam mais lugares por onde um invasor pode tentar se infiltrar. Segundo relatório recente de uma fabricante de segurança, ataques a ferramentas que possibilitam acessos remotos cresceram 333% no último ano.

Talvez o maior desafio do modelo híbrido seja exatamente responder à altura a esse crescimento desenfreado de ameaças e tentativas de ataque. Infelizmente não será possível defender todas as máquinas de invasões e outros tipos de golpe, seu aumento é maior do que o que podemos acompanhar. O que podemos, e devemos nos preparar para fazer, é saber a melhor e mais analítica forma de mitigar esses perigos e também como agir em caso de problemas. O modelo híbrido é efetivo e válido, só precisa ser feito com cuidado, planejamento e inteligência.

* Ricardo Katsudi Okamura é diretor de operações da Added.

 

FONTE: CIO

ciberseguranca, trabalho hibrido, trabalho remoto, nuvem

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